ontem foi doido, então resolvi fazer um diário aberto.
o dia já começou diferente na madrugada conversando com o Kayê. tipo, eu comecei a jogar informações aleatórias e tentei tecer os fios de raciocínio pra fazer uma colcha de retalho capaz de colar as informações e a conclusão foi meio que assim:
ele me lançou o seguinte questionamento:
O QUE TEM A VER YUGIOH,
com demônio da alegria do lol, com aprender a superar as coisas, com cavalo no telhado? QUAL SUA LINHA DE RACIOCÍNIO? Qual a lição de moral pelo amor de deus? Qual seu sábio conselho a partir dessa análise??
e recebeu a seguinte resposta:
1) superar as coisas não tem jeito, porque a mente é uma tecnologia divina inventada pra nos impedir de virar deus, então ela quer nos fuder
2) não sendo possivel superar as coisas a gente tem que combater a tecnologia divina
3) pra combater a gente precisa de 2 demonios: alegria e insanidade
4) aí que entra o yugioh, pq se a gente ficar só na nossa mente normal, nóis não consegue, então a gente tem que fragmentar a mente
5) com a mente fragmentada, a gente vai ficar trocando, tlg? que nem o yugioh
6) ai nessas troca, a mente nunca vai conseguir alcançar a gente pra fazer nóis se sentir mal
7) ALEGRIA
a sabedoria desbalanceada de fugir da mente, tal qual nos ensinou o grande mestre Alberto Caeiro.
quase como se quisesse me pôr à prova sobre o que havia sido dito naquela madrugada, o dia 16 amanheceu e eu acordei com a notícia de que a fiorino estava na oficina. fui dormir calculando tudo que precisaria fazer nesse dia pra não acumular serviço pro sábado, porque este sábado eu quero deixar livre pra passar ele inteiro com o Kayê. acordo e descubro que calculei incansavelmente sem qualquer propósito, porque agora eu estava sem condução pra cumprir minhas obrigações que só poderiam ser feitas motorizadamente.
mas ok, merdas acontecem e tudo que podemos fazer é lidar e tentar readaptar os horários pra conseguir encaixar tudo, recalcular a rota. tentei agilizar as faxinas nos quartos que tinha programado pra janeiro, falhei miseravelmente quando, ao tentar organizar os livros, peguei um despretensiosamente e li inteiro em uma sentada, “A encomenda“, dramaturgia brasileira contemporânea, bem gostosa de ler, recomendo.
sem faxina, só consegui desocupar minha mesa mais ou menos, mas não consegui deixar nada suficientemente limpo. a hora do almoço chegou, a fiorino não estava pronta. fui almoçar e o apetite nem quis saber e me fez rejeitar a refeição antes da primeira garfada e troquei o almoço por uma colher de doce de leite, porque o que importa na vida é a saúde.
pensei em organizar as coisas que pretendo escrever nas férias. o pensamento não encontrou realização.
voltei pro computador, porque precisava ouvir todas as coisas que estão me recomendando, não consegui. então tentei ouvir mother mother, porque no dia anterior mother mother estava muito incrível aos meus ouvidos, nada me agradou. tentei um samba, depois bad bunny, minha playlist de kpop, maneskin, olivia rodrigo; nada tinha sabor.
a vontade de correr uma maratona crescia e a fiorino nunca ficava pronta. até que ficou. às quase 16 horas, horário perfeitamente possível de fazer pelo menos um pouco das coisas que eu necessitava fazer hoje. mas meio que eu senti que não, sabe? tipo, o carvão costuma me ajudar muito a me livrar dessa vontade de correr uma maratona do dia a dia, mas tinha carro parado na porta do meu depósito, eu teria que fazer um esforço de 2x pra carregar a fiorino e pra completar o vizinho arrombado que mora na rua de baixo (e só para carro na nossa rua) tinha feio o que lhe é de praxe e fechado o caminho. forcei que eram sinais. entrei em casa peguei minha mochila, tomei meu sétimo copo de café e fui andar pra ver se o anseio maratonal me abandonava.
apesar de o que foi contado até aqui deixar evidente que o gatilho pra tudo isso foi a fiorino, eu não posso cravar. porque eu não ligaria tanto de perder um dia de serviço e ter que compensar depois se não tivesse uma comunhão de muitos fatos. tipo, quarta de tarde não vou conseguir trabalhar, porque tenho que assistir a defesa de mestrado do Anselmo, porque é um bagulho que me interessa muito e nossas últimas conversas todas foram para esse lado e eu chamo ele de grande mestre anselmo e eu não posso perder a oportunidade de ver o dia que o grande mestre vai virar mestre mesmo, sabe? e tem também o fato que o Kayê vem pra cá sexta e, apesar de ficar um tempinho, sexta à noite e sábado de manhã são os únicos dias que poderemos ser só nós dois. além disso, eu não conseguir escrever nada, não conseguir fazer a faxina, não conseguir organizar minhas coisas, não conseguir ouvir música, não conseguir fazer absolutamente nada, nem sequer fazer nada sem ser um nada pesado, sabe? não conseguir fazer um nada que descanse o corpo, e ficar só no nada que esgota mais que tudo. anyway, não sei quanto disso é sintoma, quanto é causa. só sei que eu precisava correr uma maratona.
saí de casa, passei na gelocar, comprei uma coca de café e fui pra copasa. é um ritual que sempre me acalma, tomar uma coca de café na copasa, fumar um cigarrinho e olhar para o nada e discutir comigo mesmo. dessa vez foi diferente, porque depois do primeiro gole no refrigerante, eu deitei e comecei a pensar em como tudo estava desandando. como o carvão estava atrasado, como eu não conseguiria ficar livre no sábado, como faz semanas que não visito um cliente importante pra mim do outro emprego, como eu não vou conseguir suprir todo mundo pro natal e ano novo. eu tinha a plena ciência de que nada estava desandando, mas não conseguia parar de pensar que estava. e pensei muito em como eu tomei as piores decisões romanticamente também e em como eu fui um puta de um bunda mole com ela nos últimos tempos e que já era, não tenho mais chances e se não for ela, nunca mais vou querer ninguém e que se eu parar de mandar mensagem ela vai me esquecer antes de chegarmos em março. aí lembrei das músicas, que eu tentei desesperadamente encontrar a minha vibe do dia e absolutamente nada estava me agradando. lembrei que vacilei em organizar os escritos e comecei a pensar já que minhas férias vão ser um fracasso porque eu não vou ser capaz de sair do lugar.
pensei mais um monte de parada e fui percebendo que eu estava ficando muito triste e que isso significava que a minha mente estava me alcançando e quando pensei na possibilidade dela me pegar e eu não conseguir fugir dela nunca mais, minha alegria ia morrer e eu não quero sair desse estado de alegria nem fudendo nunca mais. e tipo, eu sei que foi só uma crise e na hora eu sabia disso, eu sabia que não tinha chance de só aquilo matar toda a alegria do mundo, mas saber é um bagulho tão insuficiente, sabe. comecei a chorar na copasa. deitado no banquinho da copasa, chorando, com uma coca de café na mão com medo de nunca mais ser alegre.
mandei mensagem pra Pamella e em sua grande sabedoria, ela disse que felicidade é clima e ansiedade é tempo e que um tempo ruim não muda o panorama geral do clima. na hora não ajudou muito, mas relendo agora é tipo muito forte, tá?
precisando fugir da minha mente fui andar mais, desci até a ministro salgado filho e percebi que aquela rua é uma delícia de correr e corri do começo dela no centro até o morvan. não foi suficiente pra passar a vontade de correr uma maratona.
aí peguei o caminho de casa, pensei em passar no ABC pra comer algum trem, mas tava com ânsia depois da corrida e preferi não arriscar. lembrei que um cliente meu no jardim américa estava com meu catálogo e resolvi aproveitar e ir lá pegar, gastar mais um pouco de energia pra ver se curava a vontade de correr uma maratona. como o comércio do cliente é pra lá da igreja são pedro, fui o caminho todo com o celular na mão, pensando em mandar mensagem prê wendy, perguntando se elu estava ocupade pra gente sentar em algum lugar e conversar, porque uma outra suspeita que eu tenho sobre o motivo desse anseio maratonal é o fato de eu estar em uma fase hipersocial e isso ser um bagulho apavorante porque quero socializar 24/7 e isso definitivamente não combina com as configurações de fábrica do meu personagem. aí cogitei por algumas esquinas chamar pra essa socialização, mas isso seria pedir ajuda presencial, o que é um outro bagulho que não está nas configurações de fábrica. desisti de mandar a mensagem, segui o caminho.
peguei meu catálogo de volta e a magia aconteceu. no caminho de casa encontrei um barracão com uma placa de aluga-se e a primeira coisa que passou pela minha cabeça foi que se tivesse a venda eu cogitaria financiar, agora alugar jamais pois fica no limiar entre a vila betânia e o jardim américa, ponto que não se paga a curto prazo. tenho dinheiro pra financiar um barracão? obviamente não, mas é um lugar que me chama a atenção e se eu tivesse, compraria. só que, pra me conquistar mesmo, tipo 100% tem aquela parada que precisa bater. número primo. olhei de relance o número e achei que era 17, tá pago, primo e fácil de saber que é. só que aí olhei melhor e era 47, não 17; fiz umas continhas rápidas ali e vi que 47 também é primo. e, enquanto eu fazia essas continhas, o mundo virou outro. o céu estava mais azul, as pessoas eram melhores e mais bonitas, as casas pareciam todas perfeitas, a arborização pífia de Alfenas virou uma jóia do Brasil bela e amena sob um doce céu de anil. pra ilustrar, depois que eu me peguei vendo se 47 é primo, uma tia começou a gritar com o cachorro dela pra ele voltar pra casa e eu achei maravilhosa a gritaria, 10 minutos atrás eu tinha sido fechado na rua por uma mãe e uma avó com um bebê no colo e elas conversando gritado com a criança e eu queria subir na casa mais próxima e me jogar de cabeça pra não ter que ouvir gente. foi menos de 10 minutos de diferença e eu estava curado e o mundo era mágico novamente. e eu amava gente com todo meu coração.
hoje já é dia 19 e finalmente arranjei um tempinho pra terminar esse diário do dia 16, não sem interferências das memórias dos dias seguintes e das memórias perdidas daquele dia.
cheguei em casa curado e cansado. tão cansado que apenas tomei um banho, escrevi uma mensagem pra ela, printei, apaguei e não enviei. dormi. acordei com vontade de mandar e fui andar de novo para ver se a vontade passava, não passou. tomei outra coca de café na copasa, dessa vez sem deitar e sem chorar, só olhando pro celular. mandei uma mensagem pra minha mais nova best pra falar de katseye, porque naquele dia que nenhuma música me agradava, ouvi tudo que deu e uma das coisas que apareceu foi gabriela. como todas as outras músicas, não me agradou, mas eu percebi que tinha muito negocinho envolvido. ela me respondeu e na hora que eu entrei na conversa para as minhas tréplicas, eram 22h22 e meu celular estava com 22% de bateria. 22 não é primo, mas eu gosto de números iguais também, não tanto quanto primos, mas gosto bastante. e a união desse monte de 2 com eu estar conversando com a best me distraíram do fato de eu estar ansiando uma maratona de novo. e, agora pesquisei e, na numerologia, o número 2 significa parceria, colaboração, criatividade e mais um monte de coisa e minha última conversa com a best tinha sido justamente uma proposta de colaboração para usarmos nossas criatividades em parceria, sabe? acho que o universo gosta muito de mim.
fiquei tão calmo e tranquilo e feliz com isso que voltei pra casa cantando butter e sorrindo porque finalmente músicas tinham voltado a ser prazerosas e não estava com nenhuma vontade mais de correr uma maratona.
a calma e tranquilidade também me fizeram mandar mensagem para ela, não a que eu escrevi e printei, mandei apenas o link do meu “amo pkrl“, e não tenho nenhuma gota de arrependimento por isso, ao contrário das últimas mensagens e dos últimos encontros presenciais. acho que os trem que eu sinto são bonitos demais pra ficarem guardados, vou exteriorizar e compartilhar eles mesmo, porque não tô exigindo nada em troca, então que mal tem compartilhar? e esse foi o pensamento que concluí de tudo isso no dia 16. meu trampo na semana já estava comprometido e eu estou tendo que colocar são paulo dentro de alfenas pra conseguir terminar a tempo. meu tempo com o Kayê vai ser invadido pelo carvão. na quarta 17 não consegui adiantar nada da praça, porque alguns clientes atrasaram tudo que eu tinha que fazer, mas a quarta valeu um caminhão de abóbora por causa da defesa de mestrado do Anselmo. quinta fiquei sem Fiorino, mas não consegui me livrar do carvão, porque tive que descarregar um caminhão e hoje (19) já perdi a manhã inteira, porque meu pai me ofereceu ajuda de manhã, mas a ajuda dele veio acompanhada de ligações pra uma cliente que triplicou o trabalho que eu teria e a minha manhã ficou por conta de um bagulho que eu possivelmente faria em uma hora; e perdi a tarde também porque tive que trabalhar no outro emprego. muita coisa complicada, mas os números primos ou os números iguais tão aí pra ser uma âncora. mais que eles, meus friends: pelas maratonas que estamos fazendo no porão, por um sorvetinho merecido depois de descarregar um caminhão de carvão, pelos floods de wpp e afins, pela puta sabedoria desbalanceada que só a psicóloga de proplayer pamella consegue oferecer, pela best que me deixou bem chill e me ajudou a recuperar o gosto pela música naquele dia complicado. pela capacidade de enviar uma mensagem sem me sentir culpado.
16 de dezembro tentou me provar que eu não conseguiria manter a eterna alegria viva, e é. não consigo mesmo, mas a alegria é o oceano e a vontade de correr uma maratona é só uma nascente, quando estamos na nascente parece mesmo que só ela existe e que vai acabar com tudo e vai durar pra sempre. e eu sei que muitas vezes mais vou estar nessa nascente, só que o dia 16 de dezembro de 2025 veio para me lembrar que não importa o quão eternas as nascentes pareçam, o oceano sempre virá. nossos chegados e nossas esquisitices sempre conseguiram nos puxar de volta pelas correntezas eternas da alegria.
e 16 + 12 + 25 = 53. primo. (e 2053 também é, caso vocês prefiram somar 2025, em vez de 25). se quiserem somar os algarismos dos dois jeitos, à vontade também, porque 1 + 6 + 1 + 2 + 2 + 5 = 17, primo. e 1 + 6 + 1 + 2 + 2 + 0 + 2 + 5 = 19, primo. então o dia 16/12/25, mesmo sem ter nenhum número primo em sua composição, é 4 vezes primo. um dia primo que foi de grande aprendizado e ensinou que quem tem a alegria do seu lado não pode se abalar com maratonas.
