se a memória fosse uma das minhas virtudes e se as palavras fossem uma tecnologia que minha cabeça fosse capaz de manejar sem que outras aparecessem para sobrepô-las até que nenhuma frase pretendida pudesse ser completada e que novas aparecessem e minhas falas se tornassem todas desconexas e incompletas jogadas por aí e olha o que já está acontecendo de novo. anyway, se memória e um bom trato com as palavras em tempo real fossem qualidades que me acompanham, meu discurso de sexta-feira seria assim:
boa noite, família. algumas semanas atrás me perguntaram se eu usava chapéu de palha por causa do bad bunny e eu não sabia que o bad bunny usava chapéu de palha (além de eu usar desde 2016), mas achei muito conceito e fui ver muitas coisas sobre o cara e, de cara, quis replicar o look dele no metgala aqui (infelizmente os paletós marrons são uma raridade, mas eu fiz o que deu e gostei do resultado).
abro o discurso assim, porque esse discurso é sobre o chapéu de palha. É também sobre performance, é sobre bad bunny e é sobre amor. mas acima de tudo, sobre chapéu de palha.
2025 tá sendo um ano surpreendentemente bom pra mim. surpreendentemente porque os anos múltiplos de 5 costumam me odiar e também porque o começo dele foi tenebroso. minha primeira semana sem estar doente foi a última de março e uma coisa muito esquisitamente triste me ocorreu: uma senhorinha — que sempre me cumprimenta na rua — me cumprimentou na rua com um aceno de cabeça. e isso foi triste, porque a primeira vez que ela me cumprimentou foi pra elogiar meu chapéu e as últimas vezes que ela tinha me cumprimentado antes daquela foram pra perguntar cadê o meu chapéu. ela trocar aquela pergunta por um simples aceno significava que “o menino do chapéu de palha” tinha morrido e eu tinha virado alguma outra coisa que eu definitivamente não gostava. desde então, eu tento voltar com o chapéu, mas sempre olhei pra minha coleção com o sentimento de indignidade.
até que me surge um convite e eu recuso, o convite volta e eu recuso de novo e ele aparece de novo e eu recuso mais uma vez. três vezes lutando contra a minha felicidade, até que resolvo ir atrás e por sorte, ainda havia espaço. eu ainda poderia apresentar o rocky horror show e logo em seguida ganhei dois papéis solo (porque até então eu iria dividir um papel) e a partir dali, entrei em um lapso temporal de alegria e de conseguir me expressar, o que me fez sentir de novo que eu era merecedor do chapéu. e, na primeira vez que eu volto pra ele sem sentir o desconforto que eu sentia antes, perguntam se o uso por causa do bad bunny e eu achei o máximo.
EU NÃO SOU UM GRANDE ouvinte DE BAD BUNNY, ACHO AS MÚSICAS DELE MUITO GOSTOSAS, MAS SEMPRE OUVI MUITO POUCO (ELE NÃO É NEM MEU ARTISTA PORTO-RIQUENHO MAIS OUVIDO, OUÇAM YOUNG MIKO). MAS LEMBRO QUE CONHECI ELE EM UM TIKTOK FALANDO SOBRE COMO DEBI TIRAR MÁS FOTOS ERA O ALBUM MAIS OUVIDO EM TODA A AMÉRICA LATINA NAQUELA ÉPOCA, EXCETO NO BRASIL (QUE ESTAVA OUVINDO TAYLOR SWIFT). e é meio louco pensar nisso, como que a gente se esquecesse com tanta facilidade que somos sul global. eu incluso, porque eu vi o tiktok, ouvi bad bunny por uma semana e depois só fui ouvir de novo por causa do chapéu.
mas nas últimas semanas eu comecei a ouvir de verdade o cara, não só as músicas, os discursos, as falas e eu entendi o molho. entendi o que faz ele ser muito diferente, a ponto de ter mandado a loirinha de vasco e ser o artista mais ouvido do ano e é exatamente a mesma coisa que me deixou profundamente triste por uma senhora que eu nem sei o nome não me perguntar sobre o meu chapéu. é a irremediável paixão por gente que só o sul global tem. não era só o meu chapéu ser elogiado ou ela me perguntar pelo chapéu o que me encantava ou o que eu queria, sabe? era o amor. a felicidade com que ela elogiava meu chapéu, um sorriso de rosto inteiro, era um bagulho diferente. um bagulho diferente que eu não entendia até ouvir os discursos do bad bunny, em especial quando ele fala que não importa qual a nossa situação, não importa qual seja o nosso problema, de todas as opções o amor sempre será a melhor. e acho que pouca coisa resume melhor a gente do que isso.
o norte global tenta resumir a gente ao futebol e às danças típicas ou artes marciais de cada país. eles tentam nos pintar de uma maneira que a cabeça atrofiada deles consiga entender, mas jamais entenderão, porque nós não somos produto e a única coisa que eles entendem é de produto. Na própria sexta, acordei com a notícia que a netflix tinha comprado a hbo e é assim que funciona a cabeça deles, eles só entendem o que podem comprar, o que podem fazer um grande lobby, o que pode ser monopolizado. e o nosso amor por gente não é negociável, não pode ser comprado.
2025 foi um ano muito especial pra mim também porque eu voltei pra terapia pra falar sobre o luto e acabei falando apenas de amor e literatura. e foi preciso eu sair de novo pra perceber o quanto aquelas duas coisas eram mais importantes pra mim que lamentar, por mais que o lamento seja necessário, o que importa é o que está por vir e esse ano finalmente foi o ano que eu descobri que eu quero muito essas duas coisas. esse ano eu finalmente me livrei do discurso que eu ganho muito mais vendendo que estudando, porque apesar dele ser verdadeiro, foda-se o quanto eu ganho se isso não puder me ajudar a deixar o mundo (o meu ou o dos meus bests) um pouco melhor, um pouco mais prazeroso. esse foi o ano que me apaixonei no ambiente acadêmico, esse ambiente que, apesar de muito sério, deve ser divertido. a seriedade não deveria excluir a diversão e não deveria excluir o irremediável amor por gente. porque não existe nada mais sério que tornar divertida e apaixonante a jornada que escolhemos para nossas vidas.
e essa sexta-feira foi sobre isso, sobre trazer alegria pro ambiente acadêmico, sobre aproximar pessoas, sobre cantar e dançar. sobre amar. amar estar aqui e o quanto essa experiência pode ser proporcionalmente divertida e séria, porque as duas palavras não são excludentes. e é importante agradecer de todo o coração todos os presentes, tanto no baile quanto no dia-a-dia acadêmico, mas agradecer em especial a Amanda, por levar a academia tão a sério ao ponto de nos proporcionar tantos momentos de integração e diversão ao mesmo tempo que nos incentiva a trabalhar academicamente e nos acostumarmos com a linguagem própria que a academia tem, sem nos distanciar das coisas que amamos e das peculiaridades que elas podem trazer para enriquecer as discussões sobre a literatura. e o outro agradecimento especial vai para ê wendy, por todos os esforços não medidos para que esse baile e vários outros eventos pudessem ocorrer e, por assim, como a amanda, ser uma pessoa que vai fazer a academia ser um ambiente muito mais alegre e conectado amanhã do que é hoje.
e pra finalizar, é importante salientar que sigamos o caminho do amor, da irremediável paixão. por mais que as ideologias do norte nos estejam introduzidas em cada um de nossos orifícios, que consigamos resistir e que jamais permitamos que o norte congele o nosso coração e façamos um trabalho apaixonado, apaixonado pela literatura, apaixonado por gente. um trabalho incendiado pelo amor pelo nosso povo, que o discurso decolonial não seja uma trend, mas o acalourado grito do sul global, que derreterá toda e qualquer tentativa de comprar os nossos corações.
e aqui termina o discurso que gostaria de fazer, mas como o blog me permite gastar todas as palavras e tempo do mundo, eu vou fazer uma continuação para declarar meu amor infinitamente.
pode parecer impensável para alguns e muito óbvio para outros que eu tenho sérios problemas comunicacionais, sinto sempre que não sei interagir sem forçar uma intimidade e me sinto culpado por forçar e aí fico eras em “isolamento glacial” (como o tarot me disse em março) e depois fico tentando interagir de maneiras que me parecem tão artificiais que fico horas depois me consumindo internamente nos milhões de diálogos possíveis e nunca sei o jeito certo de agir. além disso, não sei demonstrar gratidão e amor, raramente agradeço ou digo que amo, porque sinto ser óbvio o quão grato eu sou e o quanto eu amo vocês. mas às vezes o óbvio precisa ser dito, por isso esse anexo do meu discurso será para agradecer cada pessoa que fez meu 2025 ser incrível, muito obrigado, família. a partir daqui eu vou substituir os “muito obrigados” por “te amo”.
como a vitória mais impactante desse ano foi eu ter me livrado das crenças limitantes que me impediam de me jogar de cabeça no ambiente acadêmico, vou focar os agradecimentos em quem está relacionado a ele, mas não posso deixar algumas pessoas de fora. como, por exemplo, minha família. amo o seu aldrin, meu pai, que entendeu lá em abril que a representação comercial estava matando o melhor de mim e fez loucuras pra me salvar o tempo inteiro e, mesmo investindo tanto tempo em salvar o meu corre, fez o corre dele com tanta maestria que conseguiu ser o melhor dos melhores na empresa, sem passar por cima de ninguém, sem sacanagem, e calando a boca das piores pessoas possíveis e sendo o primeiro dos primeiros, quase não conseguindo ver a concorrência nem no retrovisor. amo a dona sirlene, minha mãe, por todo o hercúleo esforço diário sim, mas muito além disso, por ser toda essa presença festiva e pelas nossas peculiaridades, como por exemplo, numa quarta-feira aleatória colocarmos algum jogo merda na tv tipo coritiba vs santos e assistirmos juntos só porque o narrador é o luis roberto e é simplesmente muito divertido assistir ele narrando, porque ele fala de todas as coisas do mundo, exceto do jogo que está acontecendo. amo a mariana e nossos finais de semana de pizza, frango frito, feira ou qualquer outra parada que fazemos mais pra compartilhar um momento que pra nos empanturrarmos. amo a marina que está apertadíssima nos próprios corres, mas sempre que dá (e as vezes até quando não dá), tenta colar pro lado de cá ou fazer as video-chamadas pra estar sempre presente no nosso dia-a-dia e nos dá morada na capital sempre que precisamos. amo a lívia, a melhor cunhada que já tive, com toda a sua alegria contagiante (e agora que parei pra pensar que quando eu fui pra bh vocês estavam assistindo rodeio? meu deus, amo essa aleatoriedade também). amo a dona alessandra, minha tia, que desde eu cismei que queria fazer matemática já me falava sobre a importância de um mestrado, de um doutorado e eu ficava puto porque eu queria ensinar números pra adolescentes emburrados do ensino médio, mas olha que engraçado, agora eu quero correr atrás dessas paradas (mas não em matemática, graças a deus) e amo como ela sempre esteve presente. amo o fernandinho, meu tio, o homem mais trabalhador que já pisou na terra (e deveria dar uma trégua pelo amor de deus) e o detentor do título de melhor pão de queijo de todo o ddd 35 e só a minha opinião importa. amo todo mundo, o meu primo daniel (doutor zóista), a tia helô, o tio zezé. e, apesar de ter muito pouco contato com a minha família materna, também amo geral, a tia orquizia, a tia néia, o tio xanxan, meus primos todos, mas vou citar o luan pra receber o amor por todos, porque é o que eu encontro mês sim, mês não por aí e a gente troca algumas conversas e é muito gratificante ver como ele merece o mundo e com certeza vai conquistar.
amo toda a galera do taekwondo, mas como são muitos nomes, vou focar todo esse amor à camila, porque ela é o grande alicerce disso tudo. vivi 87 gerações do taekwondo alfenense e ouvi falar sobre outras dezenas e nunca tivemos um professor tão perdidamente apaixonado pela arte marcial e pelo desenvolvimento dos seus alunos quanto ela, desde a primeira vez que treinei contigo lá no ceme eu já apaixonei no treino, em quanto os alunos ficavam felizes com cada marca alcançada, em como a relação de todo mundo era perfeita. e, a medida que o tempo passou, isso só foi melhorando e eu gostaria muito de conseguir estar mais presente e ajudar no que der, porque amo o projeto, amo como você toca ele, amo você. a melhor professora de taekwondo que alfenas já teve ou vai ter e amo a furyo e todas as suas crianças.
agora um speed run, falando um pouquinho mais sobre a mariana, porque amo como, mesmo a gente se trombando tão pouco esse ano, toda vez que a gente se tromba é incrível e nossa troca é maravilhosa como sempre foi e ela é um arauto das melhores energias que o mundo é capaz de produzir e amo ver o quanto você trilhou pra chegar no lugar onde está agora e amo saber que sua vida será um grande showcesso. e o speed run pra falar de todos os amigos do teatro que estão fazendo seus próprios corres e não vejo há eras mas são todos muito importantes e sempre vou guardar um carinho especial por cada um de vocês: fifi, maremilia, taynaga, marcela, guilherme, claudião, jubs, soso, luquinha, lilian, lucas etc.
como aparentemente já desisti de focar na academia, vamos de mais um speedrun; amo a gabi, amo o ivan, amo a sofia, amo a vic, amo o gi, amo o ip, amo o otávio, amo a abelle, amo a goiata, amo o mat, amo jão, amo a rax, amo o gorfo, amo cada um de vocês que foram muito importantes numa época muito doida da minha vida, amo até o luli, que veio de penetra no meu aniversário depois de tomar ghosting em todos os lugares, mas vo fazer o que se amo. amo o h e o meu aniki aslan e amo como eles conseguem se amar um no oiapoque e outro no chuí. amo a kary que me fez enxergar que minha felicidade no primeiro semestre era falsa, ela ainda acha que a minha felicidade atual é falsa? sim, mas eu garanto que é verdadeira, mas a amo pra caralho por toda marretada que ela me deu.
e mais um monte de gente que vão ter que ficar sem citação, porque o foco aqui é 2025!
e em 2025 tem três pessoas que eu gostaria de ressaltar, começando pelo julio, o poeta. amo o julio e amo como ele se surpreende toda vez que eu chamo ele pelo nome, amo como ele sabe recitar pessoa de cabeça como quase ninguém (quase, porque o marcos existe) e amo como ele me encontrou no momento mais delicado da minha virada de chave e ali, sem se lembrar de quem eu era, ele já havia me avisado que a cura estaria no teatro. pediu pra eu tomar conta do grande mestre, não tomei, mas foi no teatro que me reencontrei comigo e me lembrei também o quanto eu amo o grande mestre, o grande mestre anselmo que segue suas batalhas e renovações e vencendo todas e que eu boto fé que vá vender 1 milhão de cópias e eu quero ser o primeiro a adquirir o trabalho de alguém perdidamente apaixonado pelo teatro e que fez alfenas ser um lugar brilhante para centenas de pessoas. amo o julio e amo o anselmo por me lembrarem que a arte sempre viverá, mesmo de posições muito diferentes.
amo o kayê, meu best entre todos os bests. e talvez minha única tristeza desse meu boom absurdo de alegria dos últimos dias é que a ele tenha vindo justo quando kayê está tão longe, porque ele viveu o meu pior e viveu todo o meu caminho de cura e agora que eu sou a pessoa mais foda do mundo, ele não pode aproveitar o dia-a-dia das minhas explosões de felicidade e tem que ser atualizado por floods e mais floods que nunca vão ter a mesma energia de estar aqui. mas eu amo que, independente de tudo, nós sempre vamos continuar sendo essa parada que só nós conseguimos ser, essa loucura de estar pra sempre muito junto e um apoiando o outro no que for possível e amo que se não fosse por ele nem existiria esse texto, tanto por ele ter sido a luz nos meus piores anos, quanto por esse blog aqui ser completamente obra dele de cabo a rabo. amo que eu tenho certeza absoluta que vamos colorir o mundo, não importa quanto cinza tenham pra tacar, nossas cores sempre vão ser maiores e se a gente fala de cor, né? vou deixar a diva lucky cyan falar por mim:
(Ooh) wish I could tell you that’s where you belong
(Ooh) wish I could make you smile when you feel alone
(Ooh) all my feelings will be here for your goals
There’s one last thing to say
You’re blessed with luck
I’ll give you all my love
Even when I’m gone, you’re in my arms
Defending you at any cost, I swear
Let me pass my color to your heart
My story stays in you
Someday, I hope you’ll feel it, too
e pra finalizar essa parte fora da academia, tenho que falar da pamella, que eu tenho apresentado para as pessoas como o demônio no meu ombro esquerdo, me dando as sugestões mais carpe diem da história da humanidade. eu sigo? a grande maioria não, mas é muito divertido imaginar o que seria a minha vida se seguisse cada uma das calls. amo a pamella e amo como ela é uma mistura de mefistófeles com alberto caeiro e amo como toda vez que eu chego pra ela pra falar que a minha alegria está estranha e estou com medo dela acabar e ter efeito rebote, ela me xinga e fala pra eu aproveitar o momento e que eu tenho que ser alegre 24/7 sim e parar de ficar tentando me censurar por estar feliz, parar de ficar lutando contra a alegria. amo como ela é o próprio ashlash tentando fazer um pacto comigo e amo como ela vive. sei que não sou capaz de dar follow 100% nisso, mas amo saber que é possível se jogar um pouco e se permitir ser feliz e amo como ela é simples quando fala que se der errado, sempre teremos as divas manu gavassi e olivia rodrigo pra nos abraçar com letras falando exatamente o que precisamos ouvir. é é é.
entrando na academia.
amo todo meu corpo docente, mas vou focar nos três que me deram aula esse semestre e no meu favzinho. começando por este, amo o marcos, como ele me ensinou (mesmo sem querer) a odiar platão e depois fui buscar o ódio a descartes por conta própria e hoje eu falo com tanto amor desses ódios que é quase um traço da minha personalidade já (o próximo é o hegel, hein? viciado compulsivo em errar? quem sabe, tenho que aprender mais). e amo como ele consegue suavizar o tom das suas críticas, sem nunca deixar de as fazer, amo como ele bate com carinho. os três do semestre: amanda, eloesio e flaviane. não sei se poderiam ser mais diferentes, mas amo os três, sei que em um deles há coisas que não podemos amar e não as amo, as repudio. porém amo as pessoas, amo os professores; não os discursos. amo o eloesio por ele ter sido a primeira pessoa que conseguiu me salvar da prolixidade (apesar deste texto indicar o contrário, eu juro que estou salvo), por ter me viciado em kafka, por conseguir transmitir o que sabe de maneira bem didática (apesar dos cacos ideológicos que ele jura não serem ideologia no meio u-u’). amo a amanda por tudo que já foi dito acima, mas também por acreditar, por trabalhar arduamente pela sua própria crença de que o mundo pode ser melhor, que a academia pode ser melhor, por nunca desistir, não importa quantas intempéries apareçam, ela segue lutando pra trazer uma nova chama de esperança e transmite essa crença e esse amor pros alunos, nos faz criar uma grande corrente que sonha com um futuro melhor e a gente já sabe, né? sonho que se sonha junto é realidade. amo a flaviane por ter insistido mesmo quando eu recusei algumas vezes a viagem pra bh e por ter elogiado várias vezes o meu semestre, mesmo sendo apenas a minha obrigação passar na disciplina que estou cursando pela terceira vez, ela sempre me parava na saída e falava “tô gostando de ver que você tá firme”, amo que ela foi tão acolhedora e que me inspirou a ir conhecer as editoras e me fez apaixonar nesse mundo absurdamente. ainda acho o trabalho da editoração um trabalho chato de ser feito, mas amo que ela me mostrou que não importa o quão chato seja, é impossível ser perdidamente apaixonado pela literatura se essa paixão não tiver espaço para amar igualmente o trabalho de quem dá a luz ao texto.
amo o guilherme e a ana do grupo sem cnpj, amo geral, mas foco nos dois, porque aquele, com toda a paixão com que fala sobre hermes e sobre a poesia baixa do período clássico, fez eu me lembrar o quanto eu sou apaixonado em toda essa loucura que se chama literatura e, apesar de os clássicos já terem deixado de ser a minha praia, isso me ajudou horrores a entender o quanto eu necessito dessa loucura na minha vida. e a ana sempre me salvou com os pdfs e as dicas pra facilitar as pesquisas e, quando eu estava prestes a desistir do meu artigo por estar perdido nos meus milhões de pensamentos, ela me mandou o tcc dela, que ia por um caminho parecido e, além de me ajudar com refs, ainda aliviou minhas loucuras e me fez entender que tudo bem falar sobre algo que gostamos, que às vezes é melhor ainda que o façamos.
e agora chegamos nos meus queridinhos da turma de 2025. amo quase todos. mas como é foda falar 30 nomes, vou selecionar 4 pra receberem meu amor aqui, mas saibam que se estende pra grande maioria.
durante a semana de halloween, depois de uma pequena conversa com a dona luzia eu me peguei olhando algumas vezes pra ela assistindo palestras, assistindo aulas, assistindo discursos e cara como eu amo a dona luzia e como ela presta atenção em tudo com os olhos brilhando e um sorriso de cantinho, perdidamente apaixonada naquilo que estão falando. porque, porra, é tudo muito apaixonante mesmo, é tudo mágico, maravilhoso. e amo como ela me ajudou a perceber a maravilha que é aprender mais sobre a literatura, sobre essas paradas mágicas que estão no mundo e que a gente tá num ambiente com um acesso privilegiado de uma porrada de mestres fodas vindo falar pra gente de tudo que já aprenderam e dos nossos colegas compartilhando suas visões sobre tudo e amo como ela consegue perceber essa magia e consegue transmitir isso e me fez me apaixonar mais ainda nessa parada.
e pra dar sequência não poderiam ser outros senão o meu trio perfeito (meu blog me proíbe de escrever letras maiúsculas, senão “trio perfeito” estaria em caps, entendam).
começando pelo mateus que não é da geo, é da letras pra caralho, você é nóis e sempre vai ser e só a minha opinião importa. sexta-feira eu me despedi de algumas colegas dizendo “até ano que vem” e elas deram aquela famosa risadinha de gol contra e eu percebi que não, elas não voltam no ano que vem, porque já terminaram tudo e antes que eu pudesse ficar triste com aquilo, o mateus me falou “a gente meio que já te adotou” porque eu falei pra ele dos meus planos de me formar em 2k27 e que nesse ano não haverá mais ninguém da minha turma ou da turma seguinte ou das anteriores (onde conheço mais gente). e ele ali, tranquilo, já me colocou como parte da galera, já me tratou enquanto adotado pelo trio perfeito da turma incrível de 2k25. amo o mateus por essa simplicidade com que ele faz as coisas, um dia que poderia estar estragado por eu perceber as deadlines que ele representava (e que eu não havia me preparado para aquilo), simplesmente foi maravilhado com uma simples frase. amo o mateus também porque ele é uma das poucas pessoas do mundo com tantas horas consumidas de luideverso quanto eu e possivelmente alguém que entende a magia de assistir 3 horas e 17 minutos de um debate entre monark e paulo kogos e que a gente poderia fazer um podcast de mais horas ainda falando sobre as coisas mais sem sentido do mundo e seria incrível. amo como o mateus é a vanguarda e amo como essa vanguarda merece ser ouvida e eu sei que um dia vai, porque as melhores coisas sempre saem dela.
AMO A JEANNI E AMO COMO DEPOIS DE TROCAR MEIA DÚZIA DE MENSAGENS ELA JÁ TINHA VIRADO A MINHA PARCEIRA PRA IR ASSISTIR AS PARADAS CULTURAIS DE ALFENAS. JÁ VIMOS JUNTOS O ESPERANDO GODOT E ESTAMOS AQUI ESPERANDO ESSE TAL APARECER ATÉ AGORA, DEPOIS ASSISTIMOS A ALICIA NAS SUAS AVENTURAS E TIVEMOS O INENARRÁVEL PRAZER DE ACOMPANHARMOS A OBRA QUE SALVADOR DALÍ NÃO FOI CAPAZ DE PINTAR. AMO COMO ELA ENTREGOU HORRORES NO BAILE COM SEU LOOK DE GALA E NO DIA SEGUINTE JÁ ESTAVA ENTREGANDO HORRORES num dark academia de milhões. e amo que ela tenha descoberto a importância de se expressar, porque ela tem tanta coisa incrível pra ser expressa que seria uma pena deixar essas coisas guardadas. e amo que, se deus quiser, ano que vem a gente vai ser colega das crianças do anselmo, hein? u-u’ lsdkajfklsjdfaklal
e amo a nayla, né? acho que desde a primeira vez que a vi, caminhando até a sua carteira, farmando aura a cada passo e pá, eu já queria muito amigar e aprender a farmar daquele jeito. a segunda vez que vi? camisa do black stones, queria ir lá forçar entrosamento e elogiar, mas infelizmente não sou dessas, gostaria de ser, mas é difícil demais pra mim, porque as vozes na minha cabeça estão sempre dizendo milhões de coisas e eu costumo optar por ouvir as piores, que sempre dizem que eu sou muito atirado, que eu fico forçando a barra pra parecer legal etc. mas aí voltei pro instagram e o mark zuckenberg stalkeou a minha localização e as minhas ondas cerebrais e colocou a nayla e a jeanni nas primeiras sugestões de amizade que apareceram, adicionei as duas e a jeanni, sensata, recusou; porque eu não tinha uma unidade de foto e uso foto de anime no perfil (mas é anime chinês, então não é redflag, juro). a nayla seguiu de volta e eu amo ela por isso, porque uns dias depois mandei mensagem (finalmente elogiei a camisa do black stones) e fui ignorando as vozes falando que eu estava enchendo o saco e comecei a conversar com mais frequência e amo absurdamente o fato de que ela fez ser muito fácil ignorar as vozes, porque se eu encho o saco eu não sei (se for o caso é só falar u-u’), mas ela sempre fez parecer que eu não era tão chato quanto a minha cabeça me faz parecer. e eu amo ela por isso, mas amo mais ainda porque ela é muito mais que toneladas de aura farmada; é artista, é uma pessoa maravilhosa, é foda pra caralho, é alguém que você chega chamando de best e é respondido com um KAKAKA EM CAPS, É TANTAS PARADAS, QUE SE EXISTIREM AS TAIS PESSOAS ÍNDIGO QUE COSTUMAVAM FALAR POR AÍ que nascem para transformar o mundo em um lugar melhor, COM CERTEZA ELA TÁ NESSE GRUPO E AMO a certeza que eu tenho que ela vai conseguir e amo ela por tudo isso e mais um pouco.
descendo um ano, temos outro trio perfeito (em caps também)
amo a dora, desde a recepção; já falei o motivo, hoje vou explicar. o raio de pelúcia é meio que muito mais que um raio de pelúcia, porque eu sou uma pessoa calma, tranquila, bem de boa; exceto quando o que eu produzo entra no jogo. na última terça-feira, tentando costurar uma pelúcia eu surtei a ponto de ficar abalado até agora, porque ficou horrível e eu parei na metade. mesmo sendo óbvio que eu não sou um costureiro de mão cheia e o projeto era muito maior do que as minhas capacidades, eu perco minha serenidade diante do fracasso frente a coisas que me importam e a criação artística de qualquer espécie me importa pra caralho. eu não preciso fazer obras de arte, obviamente, mas alguma coisa com algum valor precisa acontecer, senão eu vou perder a cabeça. então, quando a dora, tendo como opção convites pra festas, itens da atlética e do c.a. e mais umas paradas, ignorou tudo isso e escolheu como o prêmio que ela mais queria, um raio de pelúcia que eu costurei, nossa como eu amei a dora. como eu amei aquela validação sobre um bagulho que eu catei catei agulha, linha, tecido e algodão e fucking criei do zero, a validação sobre um bagulho que eu pari, tá ligado? eu amei irremediavelmente. mas foi bem recentemente que amei mais ainda a dora, dessa vez não por mim, não pelo orgulho de ser validado, de ser worth it. amei por ela, por ela ser essa pessoa foda, uma existência poética, de sorriso fácil e que compartilha comigo esse amor por gente, essa mania de ver o melhor das pessoas, essa energia leve e contagiante que consegue acalmar geral, mesmo nos momentos mais conturbados.
ai, como dizer que elu é tudo, sem dizer que elu é tudo google pesquisar. amo ê wendy, entenda. sei que a essa altura do campeonato meu amor não deve tá tendo um bom valor de troca né? o texto já começa com eu me declarando pra uma senhorinha que não sei o nome, mas juro que ele vale cada centavo da minha existência. e pra elu cada um desses centavos se juntam pra ser um amor de milhões, juro. sei que eu brinquei esses dias pra trás que a dora é a minha fav da turma 24, mas amo estus igualmente. porque, se dora me conquistou com a validação artística (que me é muito penosa), wendy acertou em uma que eu achava impossível tocar tão fundo. porque só os deuses, minha psicóloga e eu sabemos quantas vezes eu cheguei ali naquele ambiente e quando questionado sobre gênero, desconversei com um característico “defender a identidade de gênero da galera é importante, falar sobre a minha não, porque tanto faz, é impossível me moldar materialmente de acordo com esse emaranhado odradekiano que eu almejaria ser se fosse possível”. aí, recentemente, eu perdi a cabeça, me declarei um conceito. as vozes, claro, falando o tempo inteiro que era performance, que era forçação de barra, que era uma frustrada tentativa de parecer cool, que era um milhão de coisas que tornavam a minha conceituação enquanto conceito insuficiente, uma grande e ridícula piada. alguns dias depois, caminhando com wendy tranquilamente pelas belas ruas alfenenses, elu disse que estava conversando com a dora sobre eu ser essa coisa com toda e nenhuma sexualidade, com todo e nenhum gênero, com todo e nenhum gosto. esse conceito. e wow. amo ê wendy por isso e por como elu fez meu 2025 perfeito; como elu é apaixonade na nancy wheeler e como esse amor move elu pra travar as próprias batalhas e abrir caminho a coronhadas se necessário, sem nunca parar de servir muito cunt; como a vontade delu de construir uma academia mais plural é um daqueles sonhos que a gente olha e já quer sonhar junto e já vira um sonho seu de tabela e sem nem perceber a gente já está acreditando em coisas que segundos atrás pareciam intangíveis; amo como elu é extremamente carismatique; acima de tudo amo como elu quer que sua última visão seja algo bonito, porque isso é muito lindo, mais lindo que isso é eu amar o fato de eu não saber nada sobre a última coisa, mas ter a plena certeza que durante a vida delu, milhares de coisas maravilhosas serão vistas e grande parte delas terão sido obra de seus próprios esforços, porque amo ê wendy porque elu faz do mundo um lugar mais bonito. amo como ê wendy me apresentou a nilah e o fez dizendo que eu estava lembrando ela, porque meio que é isso aí mesmo, alegria!
e pra fechar o trio, amo o gabriel e como ele é tranquilo e dono duma prosa gostosa, como ele fala das coisas que escreve, lê ou assiste num tom que dá vontade de marcar um rolê só pra ouvir a ideia ser destrinchada com calma, fugir da correria louca do dia a dia pra poder degustar aquele momento, sabe? inclusive já fica aí os convites. amo demasiadamente essa leveza capaz de desacelerar esse ritmo desenfreado que o mundo nos impõe, essa leveza apaixonada nas obras que ele gosta e nas que pretende parir um dia e que com certeza conseguirá, porque o mundo merece muito essa leveza.
amo o nico, que foi o primeiro rosto conhecido que encontrei nessa minha quarta jornada pela unifal e que foi tão acolhedor que me fez até querer entrar pro centro acadêmico e depois meteu o pé e me deixou lá pra tretar com todo mundo u-u’ laskdjhfslajkhdfjkalk amo como ele é meu mentor no caminho do kpop (apesar de eu só conseguir gostar das gerações atuais e ele ser um dinossauro do rolê, isso não impede que cantemos spicy no porão). amo a autenticidade única que não sei se ele sabe, mas passa uma segurança absurda. e amo como eu necessito dele pra dirigir um filme que eu escrever um dia se deus quiser e também pra gente fazer a nossa banda (não esqueci, hein? vou comprar um baixo pra isso já, já vai se preparando). e amo o fato de eu poder dizer orgulhosamente que sou amigo do maior vampiro do ddd 35!
amo o rafa, meu padin, e como nos dias mais pesados, independente do quão pesado o dia estivesse sendo pra ele, ele tava lá na escadinha da unifal falando alegria, falando da poiesis, xingando os barquinhos portugueses, dando os conselhos que não vou seguir, sendo perdidamente apaixonado no nosso sul global e brigando pela cultura única que temos e que nunca será comprada ou saqueada pelo norte. amo o meu padin porque ele é o arauto da oralidade, a tal oralidade que me apavora e me faz fugir para as frias palavras escritas, mas quando ele fala dela, parece ser a única coisa verdadeira, a única marca das nossas vivências que pode realmente mudar o mundo e amo como é isso mesmo e é a partir da oralidade que as verdadeiras revoluções acontecerão e a partir da oralidade dele que muitas outras pessoas serão tocadas por essa poiesis única, que será capaz de revolucionar o mundo com a alegria da jornada. e amo como ele é estiloso, sei lá, cara, ele consegue fazer uma camisa regata de basquete num dia servir horrores e dois dias depois meter aquele esporte fino decotado e wow servir mais ainda.
amo toda nossa trupe rp e nossos ratos de porão. amo a riza e todo o trampo que ela teve pra dar vida ao musical e como você se expressa autenticamente (amo ver o gótico sendo apropriado pra nossa realidade sul global); amo a fani e como a expressividade dela ao se comunicar abrilhanta o mundo de modo que minha meta de vida se tornou abandonar a minha inexpressividade; amo a julia e como ela consegue alegrar o ambiente com as suas histórias e o jeito que ela as conta; amo a vick e o joão pedro, os últimos ratos de porão que me aproximei e já considero pakas, sou apaixonado no amor incondicional que ela demonstra pelos seus aluninhos e como isso me enche de felicidade por colocar lá no teto a minha crença no futuro do ensino, sabe? ver a paixão no ensino me faz acreditar na paixão do aprendizado. e no jeito que o joão dá um pulo da cadeira e sai correndo pra cantar abba sempre que toca e como ele compartilha comigo o mesmo gosto de dar carona a pé pros bests (mesmo sem ter o mesmo senso geográfico que eu u-u’) e como em tão pouco tempo a gente já conseguiu conquistar uma proximidade que é tipo muito difícil pra um bicho do mato que nem eu.
amo meu vodrinho nonoyama e nossa paixão compartilhada pela dramaturgia; amo a catita e como ela já é mais mineira que paulista; amo o barreto e as nossas prosas de fumódromo que quase sempre caem no top 3 nerdolisses do mundo: anime, kpop e rpg (e quando fica mais deep ainda, fanfic); amo o caio e a nossa inacreditável habilidade de discordar de tudo, exceto o essencial; amo a ana e as dm no insta de leilão de mula; amo a camila que me abordou aleatoriamente no fumódromo (sem nem ser fumante) outro dia desses pra falar que me admira demais da conta e tipo, como assim cara, ela é tipo absurdamente foda, antes de eu trancar escrita criativa ano passado eu ficava assim embasbacado vendo ela falando das ideias dela e agora, nesse semestre, ela mostrando uma sede pelo labiríntico james joyce… tipo uma das pessoas mais dignas dessa palavra, admiração, destinando a mesma pra mim? fiquei todo travado, mas amei absurdamente e amo ela por isso e por ela ser essa pessoa, que mesmo sendo uma das mais dignas de admiração, admira ao ponto de verbalizar (pra eu, que sou bicho do mato e não sei verbalizar oralmente as coisas, isso é wow, incrível, amo irremediavelmente).
antes de continuar, duas palavrinhas:
- com certeza vou esquecer gente, porque eu sou uma pessoa de amar com facilidade mesmo. e de todos que eu falei eu gostaria de falar muito mais, mas foquei as falas gigantescas pra quem esteve mais presente nos últimos dias, porque é mais fácil lembrar todas as peculiaridades pra prestar uma homenagem bem feita. além de que, isso já está gigantesco e, mesmo eu escrevendo mais pra jogar meu amor pra fora que pra ser lido, eu vou compartilhar e sei que vai ser difícil as pessoas animarem de ler isso tudo com toda essa extensão.
- eu me amo. na última vez que eu falei pra kary o quanto eu amava todos meus amigos e como todos eram perfeitos, ela me xingou e perguntou onde eu estava nesse amor todo? e disse que parecia que eu não me amava. eu acredito que se alguém ler tudo que está escrito aqui vai achar muito óbvio que eu me amo, porque meu amor é egoísta pra caralho e se a gente reparar bem, os motivos que eu dou para amar as pessoas quase sempre tem a ver comigo, com algo que ressoa em mim, com algo na pessoa que me faz bem. o meu amor por todo mundo é reflexivo, não preciso da tal reciprocidade, porque é um bagulho que já me faz bem só por eu sentir isso, porque volta pra mim de um jeito ou de outro. e eu escrever esse texto gigantesco sobre as pessoas que eu amo é a prova cabal que eu me amo pra caralho, porque isso tudo é muito ridículo, eu sei, mas eu amo ser ridículo, ridiculamente apaixonado pelos meus amigos. eu amo que eu só ando com os melhores dos melhores e, se eu só ando com os melhores dos melhores, deve ser porque eu sou um deles, então é impossível não me amar, porque eu sou foda pra caralho, é isso u-u’
e amo minha turma. amo a maisanara, que eu já conhecia de outros de outros carnavais e, apesar de nesses carnavais eu ter sido a pior pessoa do mundo com ela, porque em posição de autoridade eu preteri ela aos meus amigos mais próximos do teatro, mesmo todos eles tendo menos da metade da experiência dela, pelo puro “nepotismo da amizade“, mesmo eu tendo sido esse tipo de cuzão, ela me acolheu com o sorriso de sempre e proseamos muitas vezes nessa nossa jornada pela graduação e sempre foi muito divertido. amo a duda, que é a alegria em pessoa e tem sempre me chamado pra rolês artísticos e eu juro que um dia eu vou e se ela ler isso um dia, torço para que ela volte lá na parte da dora, pra entender o porquê de eu sempre recusar participar de corpo e alma dos rolês, mas juro que por ela e por a amar vou deixar de ser tão bunda mole. amo o andré, que eu fico sempre enchendo atrás dos pdfs e ele tá sempre salvando a nossa vida e amo o fato de termos pegado tantas disciplinas em comum nesses tempos porque a presença dele é sempre muito confortável. amo todo mundo que a memória recente me permitiu estar junto, amo a mayara, amo a cecília, amo a luanna, amo o marcus, amo a jenifer. amo também todos que seguiram outras jornadas, seja por opção, seja pelas obrigações; amo a marília, amo o mário, amo a manu, amo a thaís, amo a ana heloise.
e amo quem teve a jornada roubada por uma tsunami em furnas. falar assim pode parecer insensível, mas garanto que é com a maior sensibilidade do mundo que digo que amo a thayres. meu amorzinho, que tivemos um lance e no segundo rolê já estávamos ambos convictos da nossa total incompatibilidade romântica, o que não nos impediu de manter uma “amizade fake date“ de uma leveza inacreditável. ao ponto que na véspera de natal estávamos nos cantando de brincadeira no instagram e combinando um rolê pro janeiro que nunca chegou pra ela, porque na véspera de ano novo, enquanto eu estava em machado tentando vender, recebi a notícia que eu nunca mais iria pro parquinho da apae contigo e a gente nunca mais ia ficar empoleirando nos brinquedos e você nunca mais ia mostrar o quão profissional você é em virar mortal na barra e escalar árvores. que nunca mais você me falaria sobre a sua vaquinha e sobre os gatos que apareceram na sua casa e você adotou todos. recebi a notícia da sua partida e torci tanto pra ser alguma pegadinha dos jornais de alterosa, uma pegadinha de péssimo gosto e eu perdoaria eles se fosse o caso, só porque isso significaria que você ainda estaria aqui. quebrei o protocolo de não usar a palavra “você” pra falar de ninguém, porque sei que você é a única que está lendo enquanto eu escrevo e sei que você deve estar se divertindo horrores com o tanto que eu estou ouvindo rockin robin nesses últimos dias. o universo dá dessas, né? minha personagem mais incrivelmente favorita de stranger things ter ganhado uma música tema dos jackson 5 e você ser a maior fã de michael jackson que já existiu. é interessante tudo isso, porque você me lembra bastante ela, as molecagens, os pensamentos que fogem em palavras antes que a mente consiga bloquear, a diversão sendo motor mesmo quando o mundo é estupidamente cruel. é tão difícil escrever essa parte, porque eu queria tanto que você conquistasse o mundo e pudesse fugir de tudo que você era obrigada a passar em casa. eu nem sei o que te falar, só sei que vou te levar comigo por toda a eternidade e juro pra você, eu nem sou uma pessoa que gosta tanto da ideia de conhecer a europa assim, mas juro pra você que se um dia eu tiver a oportunidade, nós vamos tomar juntos uma champagne (do mesmo jeito que passamos nossa virada juntos, só tu e eu, no parquinho da apae, com cantina da serra) na torre eiffel que você sempre sonhou conhecer e vai estar tocando michael jackson no talo. nós iremos até paris, mi amore, arrasar no olimpia.
e pra finalizar, uma declaração que talvez não seja inteligente de se fazer nesse momento, porque nas últimas semanas eu vacilei. porém foda-se, porque simplesmente seria estúpido não falar dela, porque, no final do dia, todo meu 2025 acabou sendo sobre ela. e toda a graduação também.
na sexta-feira eu ouvi a pergunta “cadê a brendha?” sete vezes a noite e outras sete no decorrer do dia e tudo que eu queria era poder dizer que ela estava chegando, infelizmente eu não tinha essa informação, mas foi gostoso pensar nisso depois, porque me fez perceber como as pessoas olham pra mim e me associam a ela, porque me fez lembrar que desde a segunda semana de curso ela é minha comparsa e eu o dela e que eu nunca precisei de todas as medidas desesperadas que inventei pra me aproximar, mas que bom que tomei a maioria delas, porque tentando encontrá-la, eu recuperei o melhor de mim e descobri tantas outras coisas que eu jamais sonharia. tentando conhecer ela melhor, eu me conheci e tive um glow up interno que fez eu me sentir digno não só do chapéu de palha, mas digno de escrever uma fodendo carta de amor pra pessoa mais foda do universo, ela mesma no caso.
como já falei acima, meu amor é um bagulho egoísta; então eu amo a brendha egoistamente, porque eu ter tido a coragem, mesmo que apenas na escrita, de expressar o quanto eu sou perdidamente apaixonado por alguém que é taaaaaaaaaão foda, tão incrível e aaaaaaaaaaa tão tão, me coloca no mesmo patamar, saca? alguém que era tão inatingível que a minha psicóloga queria me tacar da janela toda vez que eu inventava mil desculpas pra nem ao menos tentar e depois desconversava e fazia 70% do tempo das minhas sessões serem sobre kafka pra eu não correr o risco de falar do gigantesco elefante sentimental que ocupava toda a sala. e aí, do nada, “Dizer que te amo seria esquisito, não apenas por não termos a intimidade necessária para que seja socialmente aconselhável o fazer, também seria por eu amar muitas pessoas e o que quero lhe oferecer deve ser só seu.” wow, eu me senti grandão, tá? as milhões de desculpas que eu tinha pra nem tentar, o medo aterrorizante de ser muito pouco pra ela. nada disso parecia mais grande o suficiente pra me impedir de tentar e amo a brendha por ser tão foda ao ponto de eu me sentir foda só por ter conseguido me declarar.
mas o egoísmo não para por aí. meu aniversário é uma data complicada, é onde tudo costuma dar errado e foi a data que, no meu aniversário de 2022, eu escolhi, pro meu aniversário de 2023, pra anotar na minha agenda a minha incontrolável vontade de desviver. só que meu celular foi roubado um dia antes do meu aniversário e eu não pude olhar a agenda quando a data chegou, graças a deus, porque eu nunca quis tanto viver quanto hoje. mas aqui a gente vai falar do aniversário desse ano, porque a data é complicada e eu sempre falo que vou fazer um milhão de coisas nela e aos 45 do segundo tempo desisto e tento sempre passar sozinho ou improvisar alguma coisa. esse ano a minha vontade de inventar uma desculpa pra passar mais tempo com ela foi maior que o medo que eu tenho do meu aniversário, então criei toda uma festa, pedi pro kayê fazer um convite todo lindo de my little pony, convidei a galera, inventei que a festa era sem álcool porque eu ia chamar as crianças do taekwondo, mas a real é que era porque ela não estava bebendo. e ainda bem que eu fiz isso, porque foi o meu melhor aniversário de todos, a festa foi uma delícia, os grupos completamente desconexos entre si conseguiram se integrar, eu reencontrei gente que não via há eras (até o luli que eu zoei lá em cima eu gostei de rever, porque apesar dos pesares eu amo esse cara, af) e no final a gente fez toda aquela jornada, que eu fiquei fazendo piadinhas sobre os chutes da vivi como proteção pra não performar cavalheirismo e parecer que eu estava querendo aparecer, mas eu nunca estive em tamanho estado de alerta pra proteger em toda a minha vida caso fosse necessário (e não nego que bateu uma adrenalina que me deu vontade de viver altas aventuras). e eu amo a brendha pela minha vontade de passar mais tempo com ela ser maior que o meu pavor de aniversários.
amo a minha turma, tá? queria fazer muitas disciplinas com eles, quero me reencontrar com cada um deles no futuro e compartilharmos as histórias do caminho que trilhamos até ali, amo muito, de verdade. mas eu me desmatricular — nos acréscimos — de literatura portuguesa pra pegar as duas disciplinas da amanda que se complementam foi uma decisão que aconteceu no exato momento em que a brendha disse que eu deveria. e eu amo a brendha por isso, porque pegar essas duas disciplinas deve estar no top 7 melhores decisões de toda a minha vida, com tranquilidade. inclusive, todo esse texto não existiria se eu não as tivesse pegado, eu não teria me aproximado tanto de metade das pessoas por quem me declarei aqui. e tem mais, sabe? porque eu fugi da peça como o diabo da cruz e de repente, do nada, eu queria muito fazer, esquisito, né? é porque ela entrou. amo a minha trupe rp e eu continuei na peça por amar vocês com todo meu coração, mas só entrei porque ela entrou. e amo a brendha por, sem querer, ter me reconectado com a única parada que faz cada célula do meu corpo se agitar e implorar por uma vida extraordinária que é a arte, não como consumidor, como parte dela, como fazedor. a parada que me colocou em um estado absurdo de alegria e que me aproximou horrores dessa galera perfeita.
pra alguém que ama tanto a tal da arte como eu, chega a ser vergonhoso o quão pouco visual eu sou, o quanto eu reparo pouco nas imagens do dia a dia, nas belezas visuais que o mundo nos oferece e no jeito que as pessoas usam para se expressar imageticamente. nesse texto eu declarei o estilo de algumas pessoas como fator do meu amor por elas e eu comecei a reparar muito mais em todas essas expressões e me apaixonar perdidamente por como as pessoas entregam tudo, sabe? e eu amo a brendha por ter me ensinado isso, não do jeito tradicional, em um quadro ou com seminários, mas com o jeito que ela usa magistralmente aquelas calças cheias de bolsos ou as rasgadas e como ela teve altas revoluções visuais no decorrer desses semestres e eu sentia que tinha algum bagulho muito diferente e não sabia explicar o que era e aquilo me deixava puto, porque eu queria muito saber o que que tinha mudado tanto, mas eu era completamente inapto. até que eu comecei a perceber alguns trabalhos ali nas cores das vestimentas e dos esmaltes e que depois que ela pintou o cabelo, as roupas também mudaram sutilmente e que talvez houvesse alguma magia em saber moda. e aí comecei a reparar muito nas pessoas, comecei a ver essas paradas que antes pareciam uma magia e agora eram expressão e eu me apaixonei perdidamente em ficar vendo o quão foda é o jeito que cada pessoa se veste e se porta e eu aprendi tanto sobre como ser visual. ainda não sou profissional, talvez nunca vire, mas foi uma habilidade que eu adquiri e que me dá uma fome insaciável de compreender mais pra conseguir descrever com maestria um dia e amo ela por ter curado um déficit meu que eu achava incurável.
amo a brendha porque as insistências da flaviane não seriam suficientes pra me fazer ir pra bh e então eu nunca teria vivido aquilo, nunca teria conhecido aquele hostel maravilhoso, nunca teria deixado meu chapéu como oferenda ao local, nunca teria deixado a carta escrita jogada na casa da minha irmã, nunca teria me apaixonado perdidamente no amor irremediável que o carinha da impressões de minas tem pelo que faz, eu nunca teria visto o fogo nos olhos dele ao dizer que o papel é a nossa última linha de defesa contra as big techs. sabe? na mesma semana que eu terminei o meu artigo da amanda que é basicamente uma nota de repúdio à I.a., eu ver aquela paixão me encheu da mais pura e inflamável esperança. e eu nunca teria atrasado toda a minha semana de trabalho pra ir ver editoras se eu não sentisse essa necessidade de entender qual a brisa desse bagulho (editoração) que conquistou a brendha tão forte assim. e, porra, eu entendi a brisa e amo ela por ser tão apaixonada nessa parada que me fez encontrar em mim mesmo uma paixão incendiária pelo papel, pelas formas que ele pode ganhar. e, acima da paixão, a esperança que é a moeda mais rara na minha vida viciada em se informar sobre o iminente fim do mundo, mas ali eu conheci as armas que vão nos ajudar a combater o relógio corrosivo das big techs.
olha que amor egoísta; amo que eu melhorei nisso, amo que aprendi aquilo, amo que conheci tais pessoas e me reconectei com outras, amo que eu me senti muito foda, amo que tomei as melhores decisões, amo que me diverti, amo que encontrei a esperança, amo que me apaixonei. meio que tudo vira sobre mim, né?
e no final do dia é isso mesmo; eu amo a brendha, porque me amo pra caralho, porque eu me amo tanto, mas tanto, mas tanto, mas tanto que eu me acho merecedor de amar a brendha. e de amar todos aqui citados. e de amar imagens. e de amar as performances. e de amar os estilos. e de amar o amor. e de amar e amar e amar. e como me acabam as palavras, deixo o homem terminar por mim, deixo o artista mais ouvido do mundo. de porto-rico pro mundo. do sul global pro universo. bad bunny:
gente, nunca duvidem do que diz a canção,
enquanto estivermos vivos, devemos amar
o máximo que pudermos. Por favor, ei,
valorize cada segundo que a vida dá. eu vou
repetir, porque é muito acertado, o que já
passou não pode mudar. só podemos
aprender com isso, ninguém sabe o que vai
acontecer amanhã, então não se preocupe
tanto com o que vai acontecer. melhor
focar no agora, aproveita o momento e
valoriza cada segundo que deus e a vida te
dá para tomar melhores decisões, para
crescer, para aprender, para ser uma pessoa
melhor, mas sobretudo para amar. não
importa qual seja a situação, não importa
qual seja o seu problema, de todas as opções
o amor sempre vai ser a melhor, acreditem.
[…] se tem a sua família viva, não se esqueça
de dizer muito o quanto a ama, seu papai, sua
mamãe, seus filhos, suas filhas, irmão, irmã.
não se esqueça de dizer o quanto os ama e se
já não estão aqui conosco, um beijo para o céu
e nunca os esqueceremos […] debí tirar más
fotos de cuando te tuve, debí darte más besos
y abrazos las veces que pude ojalá que los míos
nunca se muden y si hoy me emborracho, pues,
que me ayuden

AAA ISSO TA INCRÍVEL!!! 😭😭💗💗
IHAAAAAA <3 <3 que bão que achasse incrível, significa que tá no nível dos homenageados asldkjflkada
TAMBÉM TE AMO AMIGO 。:゚(;´∩`;)゚:。
TE AMOOO SZSZ