duas semanas atrás o maior pitaqueiro do cenário de league of legends, gustavo minerva, teceu duras críticas ao cyberatleta drakehero, logo após este perder um jogo com wukong (um boneco relativamente simples) e optar para o jogo seguinte jogar de aatrox (um boneco que não é o mais complicado de se jogar, mas como é uma novidade ele ser usado na posição que drake atua, acaba sendo uma escolha complexa). a crítica daquele foi feita com uma poética única: “meu deus drakehero, se você não tá conseguindo fazer malabarismo com maçã, vai tentar com facão flamejante pra quê?” o curioso é que o cyberatleta performou muito melhor com “os facões flamejantes” que com as “maçãs” e perdeu do mesmo jeito.
e o texto de hoje talvez seja sobre “take it easy”, talvez não, vou deixar ele me guiar.
é uma constante na minha jornada o asco às maçãs (referentes à metáfora do minerva). não que eu odeie os primeiros passos, eu só sou tenebrosamente horrível neles e isso me causa uma quase natural aversão. tudo que me proponho a fazer, faço pulando etapas, o que me permite o “boom” da palavra favorita dos coachs da atualidade, serotonina, ao me sentir um “fast learner” ao teoricamente aprender coisas mais complexas mais rápido que o normal. porém, tudo tem o seu preço. e o preço por essa suposta velocidade de aprendizado é cobrado quando preciso fazer algo verdadeiramente complexo e isso só seria possível mediante um conhecimento assentado das bases. na metáfora em questão, supostamente alguém me ensinaria malabarismo e eu já iria querer fazer com três gravetos ao invés de bolinhas, uma pessoa mais metódica ficaria dias malabarisando duas bolinhas e fazendo o treino intensivo da base e da memória muscular. eu teria a felicidade imediata que malabarisar gravetos irregulares, mas não evoluirira dali, porque não tenho a base forte. a outra pessoa, com devido treino e no tempo certo, conseguirá malabarisar 7 facões em chamas. eu vou desistir, porque para aumentar os meus gravetos eu vou precisar voltar ao passo 1 e vou sentir nisso uma regressão, o que é um sentimento desacertado, visto que eu não estaria regredindo, eu estaria aprendendo algo que nunca aprendi de verdade, só pulei a etapa mesmo.
não desgosto disso, porque graças a isso posso dizer que já fui hipnólogo, ator, costureiro, petequeiro, diretor, professor de português e matemática particular, professor de teatro e taekwondo, dramaturgo, dono de bar e balconista de padaria, representante comercial, roteirista, “o deus do infected”, narrador, roleiro, o melhor jogador de tênis entre os ruins com potencial para ser o pior entre os mais ou menos, artilheiro da humanas no jiu (mesmo não sabendo fazer gol e tendo menos tempo de tela que quem sabe), bailarino, líder e seguidor e observador; já subi andaime e escrevi e apresentei peça sobre segurança do trabalho, já pulei 14 crianças e uma arquibancada, já pulei do telhado e fui a primeira pessoa a usar o hack de subir na cesta de basquete para não ser pego no pique e pega, já fiz rolamento por cima da rede de tênis e quebrei madeira com a cabeça, e tijolo com a cabeça, já derrubei uma casa (de um cômodo, mas uma casa) no chute, já pintei o cabelo de rosa e azul e verde e arco-íris e roxo e rosa e invísivel, já quebrei uma janela com uma cruz (joguei cacos na cruz), já andei um dia todo por alfenas descalço porque queria virar a toph de avatar, já fui na missa só para dar a paz de cristo para todos os presentes e fui na missa para discutir as vestimentas das pessoas no altar e classificá-los segundo classes de rpg, já velei um chapéu e uma camisa e uma carta de amor e uma trompa, já fui nocauteado por um amigo enquanto brincávamos de wwe e ele pulou de um palco de 1,5m em cima de mim me dando uma cotovelada e já saltei 16 degraus virando o famoso “leap of faith” do jeff hardy em cima do meu padrinho e já fizemos incontáveis desafios de se dar apostilada na cabeça pra ver quem caía primeiro, já cabeceei uma corrente de metal atirada 15m ao alto, já levei uma caixa de papelão cheia de paus e correntes e tranquei a quadra da escola para que um amigo e eu lutássemos ferozmente até sermos expulsos do ambiente, já me taquei na parede incontáveis vezes, já joguei um saco de lixo na boca de um amigo (no mesmo dia que fui nocauteado, a brisa é muito boa, recomendo, mas não sejam nocauteados por favor), já beijei alguém com cantada de pokemon (se eu te pidgey um beijo, você vai me pidgeotto) e já beijei todo mundo do rolê e ninguém, já um monte de coisa, mas saí pra vender carvão enquanto escrevia e perdi o fio da meada.
não aprender as bases das coisas sempre me ajudou a viver experiências maravilhosas. em contra-partida me fez sempre saltar de uma para a outra infinitamente por não conseguir evoluir e isso ser muito frustrante. no velho testamento, eu sempre lidei com a frustração pulando de cabeça em alguma outra parada aleatória e tenho enorme gratidão com meu ex-eu por isso, porque tudo foi bastante divertido. infelizmente, no novo testamento não parece ser tão fácil ficar pulando de galho em galho como antigamente, mas ao mesmo tempo não faço ideia da minha capacidade de aprender conceitos básicos, porque o motivo de eu não os aprender nunca foi por achar eles básicos demais para mim, sempre foi porque eles são estupidamente mais complexos para mim que fazer as coisas sem base mesmo. os conceitos básicos costumam ser muito densos em teoria, o que vem depois deles é mais feeling; só que é muito mais fácil sentir e criar em cima de algo que você é mestre do que em algo que você não faz a mínima ideia de como tá fazendo, mas sepá deve ser divertido pular de cima desse barranco aqui, bora testar?
e a conclusão desse texto é que entre a maçã e o facão flamejante, eu possivelmente não conseguiria ser proficiente em nenhum, mas só é possível pensar no facão flamejante se primeiro eu fixar bastante meus olhos na maçã… posso até não virar mestre de malabarismo com maçãs e jamais ir para o último passo que seria algo como fazer malabarismo em uma roupa de 30kg feita completamente de carne com 7 facões flamejantes em um monociclo equilibrado numa corda bamba em cima de uma piscina com 17 piranhas e rodeada por 11 leões famintos, enquanto algúem tenta te acertar com facas. me perdi, perdão. mas sei lá também, vou comer a maçã que vale mais a pena que ficar pensando (essa frase é uma contradição cósmico-transcendental).
aé, o que tem a ver yuqi e jk com isso tudo, né? eles são aquele malabarismo divertido com leões, um dia nóis chega lá #fé
