sugestão sonora para a leitura a seguir: New type of hero — chatterbox
quinta-feira objetivaram minha performance de quadrilha cyberpunk, já virou bio do insta, já virou meu estilo, já virou conceito; o conceito do conceito.
do conceito porque acho que é isso, sou um conceito.
e é muito bom conseguir falar sobre ser um conceito, um conceito performático e que esse conceito é o casamento entre a melhor festa br com o melhor subgênero. talvez eu seja meio que o melhor, tá ligado?
2025. sabe quando o ano começa e você tem o feeling que vai ser uma merda? então, que bom que sempre me disseram que eu tenho uma péssima intuição.
múltiplos de cinco nunca foram bonzinhos com a minha pessoa. considerando que o conceito nasceu em 2011, tivemos dois anos múltiplos de 5, os dois piores que me recordo.
e 2025 começou dando todos os indícios que seguiria o rumo daqueles: até março não tive um dia sem doença, depois fiquei doido de kafka e abracei a despersonalização.
ali já me sentia um conceito, mas me sinto assim há tempos e isso nunca foi bom.
um conceito é demasiadamente humano demais pra ser socialmente humano e isso é uma porra solitária.
e quando se alia isso com despersonalização e uma disforia que não se pode ser curada, porque ela não é sobre gênero é sobre querer ser formas e conceitos abstratos. impossível de materialmente tornar-se tal, tudo fica complicado.
sexta-feira. conversando com ume amigue eu disse uma frase que me surpreendeu. “ultimamente, eu ando perdidamente apaixonado nesse trem”. o trem em questão é aquela vozinha, não de avó, de voz. aquela bendita e incalável vozinha que nos acompanha desde nossa noção de existência.
bentida, abençoada, maravilhosa.
e, graças a deus, incalável.
seu inexistente silêncio é a única companhia capaz de lidar com a solidão de ser um conceito.
a despersonalização do primeiro semestre nunca foi curada, ela amadureceu. e aquele conceito que era odioso ser, começou a ficar estranhamente gostoso, estranhamente apaixonante, estranhamente estranho.
ao ponto que. sexta-feira mais tarde. mandei uma mensagem pro best: “sei lá, estou com o feeling que nada nunca mais vai dar errado”
otimismo e feeling, duas coisas que não combinam com meu aesthetic, mas meio que foda-se, né? aesthetics não cabem em conceitos.
sei que seguirá solitário abraçar essa loucura e ficar cada vez mais insano e longe da materialidade da carne até alcançarmos o nirvana da psicose completa despersonalizada.
sei que seguirá solitário. acima disso, sei que o caminho me fará companhia com as melhores pessoas, mesmo que sejam feats e participações especiais de uma faixa ou um disco, uma temporada ou duas. tô ligado.
tô mais ligado ainda que não importa o tempo que dure esses feats, serão eternos e moldarão o conceito. um conceito que ganha cores, ganha densidade e, a medida que perde a própria identidade, ganha a verdadeira identidade.
o senso de que a identidade individual não existe e abraçando tudo torna-se a única e verdadeira identidade, o único conceito que me cabe.
nem preciso mudar de 3d pra 2d, sabe? já posso estalar os dedos e ser um new type of hero.
posso estalar os dedos e estar pronte ao mesmo tempo para pular uma fogueira e combater corporações capitalistas com meus pedaços biônicos.
com meus fragmentos dignos de poder me batizar frankenstein — o monstro, não o doutor — sem remendos visíveis, só os internos e os digitais.
e um frankenstein cyberpunk de chapéu de palha é meio que o novo tipo de herói que vai meter fogo em tudo e que sabe que eles nunca vão nos derrubar.
eu vou vencer, porque eu sou completamente maluco!
