citei o que seria dito hoje em uns 3 dos textos anteriores, a coragem quase me faltou para postar, mas é isso.
comecei o ano fazendo um curso para aprender a me planejar circularmente, até certo ponto deu certo e depois desandou. vou retomar, mas esse não é o ponto. o ponto é que no dia 8 de janeiro, escrevi um texto como exercício do curso, é parecido com aquelas paradas de “como você se vê daqui sei lá quantos anos”, mas tem peculiaridades que tornam muito melhor. porque a ideia dele não é quem você quer ser no futuro é você achar o que há de “cerne” na versão de si que você mais gostaria de ser e decidir se tornar esta e escrever um texto — no presente — falando sobre a pessoa que você decidiu ser como se você já fosse ela. a sugestão fala sobre responder 4 questões essenciais: quem eu sou no meu cerne? como é minha relação comigo? como me relaciono com os outros e com o mundo? qual a minha relação com meus trabalhos/projetos?
é isso.
conhecer o ‘girlcrush’ e viciar nesse conceito foi engraçado e importante, porque isso me fez perceber que sempre quis ser um ‘envy symbol’, não do jeito ruim, obviamente, mas sempre quis que a minha presença no mundo atraísse olhares que desejem ser como eu.
e, agora que estou nesta posição, percebo que as inúmeras vezes que copiei alguém ou repliquei traços nunca foi ‘falta de personalidade’, como já me acusaram. eu estava apenas aprendendo a replicar coisas que sempre julguei invejáveis e de fato eram. porém, descobri que existe muito invejável em mim também, sempre existiu e, aliado aos traços que roubei e mantive, estou em um patamar diferente de ‘envy symbol’, o patamar onde as minhas habilidades de roubar são motivo de orgulho e não vergonha.
sou uma completa ‘girlcrush’. óbvio que não querem replicar cada parte de mim, mas várias delas são desejados por pessoas diferentes, que se inspiram em mim para construir seus próprios jeitos de ser. e ajo muito gentilmente com todos e, sempre que possível, ajudo no caminho ao invés de acusar o roubo (afinal muito do que chamo hoje de eu, foi conquistado orgulhosamente através de roubos). também porque acredito que a melhor coisa em ser ‘girlcrush’ é criar uma infinidade de outras ‘girlcrushs’ que sabem que o lugar delas no mundo é sendo gostosas e poderosas do jeito que acharem melhor. o lugar que o mundo disse que é seu é muito pouco para abarcar tudo que se pode ser.
e pensando nisso tudo, consegui perceber que sempre fui muito digna de muito amor e carinho. e desejo. não só o desejo de ser um pouco mais como eu, mas de me ter. porque no final do dia, o ‘girlcrush’ desperta como nenhum outro conceito a deliciosa confusão entre o desejo de ser e o desejo de ter. e quem não quer ser ou ter alguém como eu; que alegra os ambientes onde passa, consegue conversar horas sobre quase qualquer coisa, é uma boa ouvinte e boa falante e, acima de tudo, uma ótima companhia para se construir histórias juntos?
não foi sempre assim, mas a minha relação comigo mesma melhorou muito depois que percebi o quão foda eu sou e como sou capaz de coisas maravilhosas e diversas, desde que respeite o tempo de cada uma para conseguir melhorar em todas e ser uma pessoa que pode virar um mortal no rolê e dar uma voadora com metros de distância, mas que também pode costurar um chaveiro de presente e estilizar meus próprios outifits, sem esquecer de escrever meus romances, produzir academicamente, viver a arte e artizar a vida. além de muitas outras coisas. que só consegui alcançar me tratando com a mesma gentileza que trato os meus chegados, porque todo o amor do mundo que eles merecem, eu também mereço.
o mais importante da minha relação com meu trabalho e meus projetos é que meu repertório é vasto e todas as coisas que me divertem podem ser trazidas também para a vida profissional, sem perderem seu espaço no lazer. descobri a importância de conseguir renda com o que me faz feliz sem fazer o que me faz feliz apenas um meio para conseguir renda. é um aprendizado difícil, porque quando misturamos o pessoal e o profissional é fácil se perder, mas todo lugar que podemos nos perder, podemos também nos encontrar ou encontrar novas experiências incríveis (diria até que só podemos encontrar tudo isso se tivermos a oportunidade de nos perder). e assim, sem menosprezar nenhuma das minhas vivências, consigo desempenhar proficientemente nos meus trabalhos. toco meus projetos com muita competência e trago as múltiplas áreas que conheço como um diferencial, porque — do trabalho mais comercial ao mais artístico — nunca deixo minha autenticidade de fora, minhas dramaticidades e o conceito que sou de nunca me nichar para adequar. muito pelo contrário, trabalho para adequar o mundo ao fim dos nichos e das especialidades cada vez mais específicas que servem apenas ao capital. sou muitas e trabalho para que todes tenham a oportunidade de descobrir quantes podem ser.
amo gente fervorosamente e amo o mundo da mesma maneira. sei que muitos discursos tentam antagonizar a humanidade ao mundo e vice-versa. discursos vazios e mentirosos. pessoas e o mundo são uno e sou uno com ambos. sou Natureza, sou gente, sou ciência, sou arte. e somos todes e me relaciono sempre ciente disso e busco sempre tornar o mundo um lugar melhor para aqueles que querem que ele seja um lugar melhor para tudo e todos. para quem quer que o mundo seja melhor apenas para os interesses do capital, não posso desejar o melhor, porque eles são responsáveis pelos discursos que a humanidade é inimiga da natureza e, se se consideram inimigos do mundo, que o deixem. vivo pelo amor e pelo dia que entenderemos que somos Natureza, somos deus, deusas e deuses e deusus, que somos o Mundo e o mundo é nóis!
